quinta-feira, 26 de outubro de 2023

QUADRADO CONFORTÁVEL

carinhosamente idiota
sigo não desistindo e
procrastinando afetos

fico no quadrado
ignorando o lado
que não conforta

tudo tão bem organizado
arrumando numa desordem
o motivo para continuar

estou chato demais para mudar
e acho que meus moldes endure
ceram ou talvez seja uma ques
tão de perspectiva. será poss
ível escapar de onde eu mesmo
me prendo?

SHOT DE POESIA #4

soltamos as mãos e
rabiscamos o coração
um do outro
com os cacos das palavras 
transparentes demais.

agora só resta
marcar uma consulta
com o tempo.

VELHO DESENCANTO (SHOT DE POESIA #3)

um sorriso verdadeiro
mofando na gaveta.
já não tenho paciência.
histórias repetidas
se cruzam nas mesmas ruas
se devoram nos mesmos bares.

a magia agora só existe em brasa.

SHOT DE POESIA #2

queria ser artista
mas só sabia fazer arte.

SHOT DE POESIA #1

laranja sabor fim de tarde
e eu parado
esperando já nem sei
mais o quê.

segunda-feira, 16 de outubro de 2023

EU SÓ SEI SEGUIR EM FRENTE

mesmo no escuro de mim mesmo
apalpo as paredes da vida
porque sei que há um céu azul
em cima de todo dia nublado.

erro e troco feridas 
até quando não quero
até quando não querem.
seu contador Geiger canta quando me vê.
fazer o quê?

eu só sei seguir em frente.

e os eclipses continuarão acontecendo
a gente estando lá para vê-los
ou não.

enquanto construo faíscas num incêndio
os outros pulam fogueira
porque suas felicidades
são suas responsabilidades.

mato uma garrafa e tento esquecer
da gente
disso tudo.
mesmo no escuro do futuro
me apego em algo que já estava aqui
em mim
antes mesmo de eu vir.

tomo um banho gelado.
suturo meus machucados.
eu só sei seguir em frente.

quarta-feira, 13 de setembro de 2023

FLORES NO LIXO

uma rosa branca abandonada
morrendo num copo d'água.
já não sei quantas pessoas 
me esqueceram numa esquina.

uma rosa branca se suja de tinta
pra ser vermelha.
pra ser aceita.
já não sei quantos galões
minha mente bebeu.

uma rosa branca e pálida
amarelando como eu.
os dois se apertam no mundo
pés e raízes buscando o fundo.
estamos velhos demais
para ter medo de nadar.