rico de bitucas
limões rosas
descansando secos
no último saco
de lixo
meu amor é o gelo
que sobra no copo
continua ali
gelando o vazio
da garganta do ralo
escrevo meu nome
num isqueiro sem chamas
e bato minhas cinzas
no chão de uma casa
que sente saudade
de outros pés
além dos meus
mas meus sentimentos
só podem pagar
passagens de ida
(em todas as voltas
troquei cicatrizes)
rico de bitucas
todo resto líquido
eu declaro
no imposto dos erros
me rendendo
em poesia.