terça-feira, 11 de agosto de 2026

SEM DINHEIRO

rico de bitucas
limões rosas
descansando secos
no último saco
de lixo

meu amor é o gelo
que sobra no copo
continua ali
gelando o vazio
da garganta do ralo

escrevo meu nome
num isqueiro sem chamas
e bato minhas cinzas
no chão de uma casa
que sente saudade
de outros pés
além dos meus

mas meus sentimentos
só podem pagar
passagens de ida

(em todas as voltas
troquei cicatrizes)

rico de bitucas
todo resto líquido
eu declaro
no imposto dos erros
me rendendo 
em poesia.

BORA SER RIDÍCULO

por favor
e por você
por nós
bora ser ridículo
como qualquer sol 
queimando até virar
gravidade

nada é tão grave
quanto uma vida
desprovida de risos
daquilo que sentimos
tanta importância
assim como um grão de areia
no olho de um peixe

assim como comer e
depois apertar a descarga

assim como amar e
depois amar o próximo

assim como dores cicatrizam
com a saliva do tempo
beijando nossas feridas

vamos ser ridículos
nessa vida sem sentido
se é pra cima ou pra baixo
no espaço 
nós apenas flutuamos
transando mentes
pensando demais
as cores
da própria pintura

por favor
saia daqui
o quão ridículo você é
e eu
estarei te aplaudindo
de pé.