não havia nada na praça
além da fumaça morta
do meu cigarro
e minhas mãos no bolso
que queriam se esquentar
num lugar
chamado você
mas ninguém sabe quem é
hoje à noite
ninguém sabe pro que veio
só vieram pra cá e aqui estão
ossos bundas e bocas
sentados sobre suas
próprias palavras
e eu chupo deliciosamente
um vazio gostoso
dum copo cheio de nada
não havia alguém na praça
além das mesmas histórias
sem roteiros
e seus tantos rodeios
pra chegarmos onde estamos;
a sacada vip
de lugar nenhum
mas ainda há um brilho
distante
como lembrança de infância
uma adega
que vende cigarros.