eu me cobro com uma voz alheia
e melhoro até parecer
que tudo o que me descartei
fez alguma diferença
limpo a parede coberta de mofo
mas a sujeira
entra num pulmão
e mora no outro
respiro poeira
feita de pele
que nunca me cobriu
olha meu olho que descobriu
que tudo o que vê
foi a mente que pariu
é que nos dias de chuva
fica difícil sair por aí
e se descobrir
naquilo debaixo da ânsia
mas o tempo insiste na mudança
o tempo só existe na mudança
e eu
mudo
como uma sala em silêncio
me cubro
daquela voz que já conheço.