domingo, 3 de janeiro de 2016

A COISA

Dê uma folga pra você mesmo,
Principalmente quando as pálpebras
Pesam 100 toneladas.
Quando sua caixa do correio
Estiver entupida de
Cobranças,
Não se cobre; já estão
fazendo isso em
Algum banco desta cidade.
Acabou a água? Beba-se, você é 70%
Líquido.
Acabou a luz? Bem, você está mesmo
Fodido, heim companheiro?
Só há uma coisa que você NUNCA deve
Deixar que te levem.
E essa coisa é tudo o que você
Precisa buscar nesta vida.
Complete a lacuna com o nome da coisa:

______________

TRÊS

Eles fodiam todo dia.
Este é um belo jeito de
Celebrar o amor.
Mas ninguém podia dizer que
Se amavam realmente.
Ele não peidava na sua frente.
Escovava os dentes antes de beijá-la
Arrumava-se antes de vê-la.
Penteava os poucos cabelos grisalhos
Com gel e vaidade.
Ela não arrotava, não cagava,
Não passava fome ao seu lado.
Depilava-se. Lavava a xota toda vez.
Menstruada, então, nem pensar.
Não se abraçavam depois de foder.
Não dançavam, bêbados.
Não bebiam vinho barato, não ouviam
Músicas juntos.
Tudo isso ele fazia
Com a esposa dele.

Ela também.

QUANDO ALGO TE ABANDONA

“Eu me sinto abandonado”, ele disse.

Eu estava ali. Estava do
Lado dele quando ouvi isso.
Queria poder entender esse
Sentimento de abandono.
Abandonado por quê?
Por alguém que nunca esteve ali?

“Eu estou tão sozinho”, ele disse.

Solidão é o refúgio do
Eu Evoluído.

“Nunca serei feliz”, ele concluiu.

Estava certo; nunca seria mesmo.
Não merecia. Não se amava. Não o culpo.
A vida corrói os muros da estima e
A paixão maltratada é o
Golpe de misericórdia.

CRISE

Não há crise se
Você ainda tem as duas pernas.
Se você sabe falar, comer,
Cagar, mijar, foder.
Não há crise se o céu
Continua lá em cima.
Se seus pratos estão cheios.
Se seus copos estão cheios.
A verdadeira crise é a morte.
A falta de tudo.
O escuro eterno.
A morte é tão pobre.
Não há crise se
Você consegue ler este poema.
Pare de reclamar. Isso é
Coisa de gente fraca.
Os fortes moram na rua, se
Esquentam com a própria urina,
Comem do lixo e pedem trocados.
Não há crise, mesmo no desemprego.                        
A crise, se é que existe,
é de amor.

CORRERIA

Corre que ainda dá tempo.
O ônibus ainda não abriu
as portas e você poderá embarcar.
Eu sei, você já está atrasado
Dez minutos. Seu chefe te disse
Que te daria uma suspensão se
Você chegasse tarde.
Mas corre que ainda dá tempo.
Empurre o mendigo, ignore o cão.
Não compre as balas do menino.
Xingue o motorista, esse lerdo.
Corre que ainda dá tempo.
Suas filhas ainda têm 11 anos.
Seus pais ainda têm 70 anos.
Corre que ainda dá tempo.
Restam pessoas vivas para amar.
As que já foram, eu sei, dói.
Você pode deixar umas flores.
Corre que ainda dá tempo,
Desistir de tudo, pular do prédio.
A não ser que você aprenda
A caminhar.
Ainda dá tempo.

COPOS CORPOS

Vamos falar de bebida, que tal?
O que seríamos sem o álcool?
Como aguentaríamos as coisas?
Bom, tem gente que aguenta.
Estão na reabilitação, na igreja,
Do lado direito.
Beber não é qualidade para
Quem não bebe.
Muitas destas letras estão bêbadas.
Se o cara que te entregou este poema está sóbrio,
Pague uma cerveja pro coitado.
A cerveja é um grande amor.
A primeira vez que a vi foi
Com meu pai, num bar.
Não gostei do nosso primeiro beijo.
Foi amargo.
Hoje em dia eu acho as coisas
Muito doces.
Um dia ela pode matar. Já sei.
Mas toda mulher pode matar.
Um brinde às mulheres que
eu não como, mas bebo.

domingo, 27 de dezembro de 2015

O POEMA MAIS RIDÍCULO DO MUNDO

“Como você consegue escrever tanto?”, ela disse.

“Eu vou comendo a vida e
cagando poesia; é natural”, eu disse.

Ela estava na minha cama, nua,
Enquanto eu digitava no computador.

“Pronto. Terminei. Veja o
Que você achou...”

Ela leu. Depois leu de novo.

“Tá uma merda”, ela disse.

Estava mesmo. Publiquei no meu
Blog que ninguém visitava.
Aquele poema era feio demais.
Decidi desligar o computador e
Tentar outro dia, depois de
Fazer amor.
Quem sabe assim eu faria algo
Cheiroso.
No dia seguinte escrevi sobre
Rosas e abelhas.
O poema mais ridículo do mundo.
Algo como:

“As abelhas amam as rosas
E as espalham pelo jardim;
Regar-te a alma incólume em amor
Pra que floresça um sorriso enfim

O sol deita-se em véu esmeralda
Na casa das paixões, a longa distância
Que eu percorro até teus abraços
Os beijos que na cama dançam

Abraça-me num silêncio
Secam-me as lágrimas moídas
Que te gritam na despedida
Ansiando teu corpo em minha vida”

Ela gostou do poema. Deu-me um
Beijo, um aperto.
Todo mundo é ridículo
Quando está apaixonado.