meu peito espera
batendo o pé
nas minhas costelas
quantas eras tem
nessas horas?
minhas veias querem
que o futuro
seja agora
de alguma forma
(de qualquer forma)
pra essa noite chegar
existe um dia infinito
no meu caminho
um sol teimoso
e narcisista
não deixa a lua falar
suas poesias
e quando tudo se alinha
os ponteiros em posição
de começo
vem aquele desmarque
a ração favorita dos fantasmas
são as expectativas
dilaceradas
pego um balde fresco de ração
do meu cérebro
e jogo nas calçadas
da minha casa
meu peito dorme
confortável
coberto de nada.