sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

OS ENAMORADOS

amo a companhia de mim mesmo
clareza vinda
do subsolo emocional

amo a chuva e o sol
resto de nuvem fria
na pele seca quente

amo chorar de alegria
nem sempre lágrima
tem peso
mas gosto quando vem
agridoce

amo sentir sua falta
e te beber na sede
me desidratar no
nosso desejo

amo a vida das folhas mortas
e todo espaço que existe
entre os galhos e o chão

e sim
eu tenho a mim
como a possibilidade
de todas as coisas
porque ser apenas um
dentre tudo o que sou
faz meus olhos rolarem
para dentro.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

NÃO REPARE A BAGUNÇA

o estado da minha casa
é meu estado mental
não repare a bagunça
arranjei um espaço
pra você sentar

me diga
o que te trouxe
até onde eu buscava

vamos dividir o maço
que temos por baixo da
manga
e contar o truque
antes da mágica
ser desvendada

eu sei que é verdade
alguma parte
da nossa mentira

me siga aonde
a gente se encontra
nas mesmas ideias
e desejos

eu acredito no que vejo
mesmo de olho forte vendado
parado no ponto fraco
o estado
que estou
é independente
e carente
talvez, de repente,
a gente bebendo milagre
se entende

quarta-feira, 3 de dezembro de 2025

CINZAS SOBRE LEMBRANÇAS

apaguei o cigarro
sem fogo no peito
fôlego fragmentado
fricção frágil
fácil quebrar
um pouco mais
aquilo que se
esconde do "mas"

cinzas
sobre lembranças
quis a música
sem saber a dança

o que estava
dentro de mim
eu queimei como
último poema
uma memória
pra se esquecer
como o nunca

o que muda
agora que o maço
é só um vazio?

vou respirar
uma melodia
que me cante
outros dias
sem raiar 
o que já foi

apaguei o cigarro
a luz
meus olhos
e fui
meio destroço
dormir amanhã

VÔMITO

seguinte
mesmo que eu grite
palavra triste
sobre o sol risonho
todo sonho
me causa incômodo
tudo que ponho
e o pouco que ganho
negativo em todo aplicativo
vivo morte social
é legal ser anormal
tudo nada pago e tal
de bem pro mau
sal grosso sem sal
salto corres dilacerantes
o fácil de hoje
é o difícil de antes
que me encante
algum encanto em qualquer canto
eu canto em qualquer ângulo
pra fazer seu ouvido sorrir
só pra eu seguir
rir de toda graça
que sou cego pra ouvir

QUALQUER ÂNGULO

seguinte
mesmo que eu grite
palavra triste
sobre o sol risonho
todo sonho
me causa incômodo
tudo que ponho
e o pouco que ganho
negativo em todo aplicativo
vivo morte social
é legal ser anormal
tudo nada pago e tal
de bem pro mau
sal grosso sem sal
salto corres dilacerantes
o fácil de hoje
é o difícil de antes
que me encante
algum encanto em qualquer canto
eu canto em qualquer ângulo
pra fazer seu ouvido sorrir
só pra eu seguir
rir de toda graça
que sou cego pra ouvir

SER NADA

sem nada pra fazer
eu faço qualquer coisa
que envolva
pensar nada
esquecer tudo
mente no mudo

rabisco minhas próximas
estrofes
com tinta forte
suor sangue e fumaça

diluída numa lata
e em palavras

é difícil manter-se a si
quando o mundo te pede
um pouco de cada 
todo seu

não sei que faço com saudade
presente póstumo
que só pesa minhas portas
as que são difíceis de abrir
para outros

sufoco
sem nada pra fazer
tédio com um "T"
parabéns pra quem perceber
que vive o mesmo entardecer
da sua luz
todos os dias

pensar nada é liberdade
vazio é espaço
e no espaço
girando 24 horas por dia
é onde
vivemos.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

ESSE CÃO

olha só
se não é suficiente
tudo o que sou
talvez
não
devêssemos

se não tem eu na gente
ou até você em nós
minha voz
não tem som
ou sentido

esse cão velho
não aprende novos truques
não insulte
as marcas
passadas
depressa e profundas
esse cão velho
tem um tempo
pra se recuperar

olha só
desde que começamos
eu não quis terminar
em notas jazz
improvisadas
como batidas
do meu coração

mas se não tem nós
nos seus planos
eu me desamarro
de todo nó cego
até enxergar uma saída