quinta-feira, 27 de novembro de 2025

VOCÊ NÃO SABE MINHA FORÇA (DEFINITIVAMENTE)

para sussurrar à sua orelha
você não sabe
quantas olheiras
tive de maquiar

ando
apenas pelo caminhar
noturno e não-sóbrio
embriaguez de vida
bebida pelas cicatrizes
mas prefiro
falar sobre coisa
nova

para eu estar aqui
de átomos nus
eu sobrevivi 
ao que não pude
sacode a poeira
passos acertos e erros
todos têm o mesmo
segredo:
só sabe quem já aprendeu

de todo tempo-espaço que existi
apenas segui 
adiante
continuar é uma coragem
crua como o corpo
mentindo a mente 
definitivamente
são felizes os que sentem
eu sinto muito
queimando tudo
a próxima história
chama.

quarta-feira, 12 de novembro de 2025

IRRITANTEMENTE FELIZ

o sorriso incomoda até o que não existe
vem pra dar tapa na cara
o sorriso que eu não sorria
há tanto tempo nessa neura
de me sentir um lixo não-reciclável

ficou claro 
numa dessas noites 
onde a gente percebe
que a única saída
do fundo do poço
é pra cima

que eu sou a energia que receberei de volta
que sou responsável pela minha vida
mesmo não sendo culpado
o outro lado
da moeda
que gastei num cigarro
unilateral
assim como eu era contigo

se o acaso é dono das minhas coisas
vou ser
irritantemente feliz
até que incomode
quem gostava
das minhas lágrimas

só tenho uma vida pra ser o que sou
então que venha a história
muito prazer
sou o escritor.

quarta-feira, 5 de novembro de 2025

FUGIR DE SI MESMO (NÃO É UMA SAÍDA)

eu tô fumando demais
bebendo demais
querendo demais
algo que não mais
um dia como ontem

eu percebo minha paz
quando tudo se faz
um pouco demais
pra que eu não pense
nem mais um pouco

eu posso estar sozinho em meio
à inúmeros vizinhos desconhecidos
eu posso até rir um pouco
da careta que me faz o abismo

não se sinta desconfortável
com meu desconforto
é normal ser um animal sentimental
de vez em quando

veja o que estou preparando
tô bolando um plano
pra ver se engano
o motivo do meu pranto

eu tô fumando demais
bebendo demais
querendo demais
algo que nem mais
importa

fugir de si mesmo nem é uma saída
toda fuga ainda é parte da vida
vou deitar na grama e ver
o que o sol me ensina
queimando minhas retinas
pra enxergar o meu valor.

MEU VÍCIO É CONTINUAR

eu conitnuei bebendo até quase morrer de sede
minha saliva quer a sua
minha língua sua bunda
mas nada muda 
nas camas de quem se afasta
cada dia mais
dos outros

e por pouco quase parei de vez
mas meu vício é continuar como se
fosse verdadeira minhas ilusões
que pesquei 
enquanto sonhava em ser o que sou

fico farto de ficar parado
viajo quilômetros pelas mesmas ruas
a lua nua testemunha
meus batimentos acelerados
mesmo antes de sair do quarto
mas cá estamos
minhas células e o acaso
propondo que façamos alguma arte
com o que ainda temos
das nossas almas

eu continuo
pois é o que resta
é a essência que me atesta
é a festa de tudo o que existe
o barato vivo daquilo que sobrevive
eu continuo
ante o mundo eu mesmo
e se for 
eu permaneço sendo
apenas sendo
maravilhosamente sendo
qualquer coisa.

sexta-feira, 31 de outubro de 2025

EU CONTINUO

é alguma hora em algum relógio
e é lógico que
não estou pensando em você
(só sinto muito)
eu só mudo quando o mundo
fica mais louco do que eu

continuo sobre o escuro do futuro
tenho certeza
que suas incertezas
não me valem mais a pena

não sei o que pensa
a mente tensa
que me avalia
sem me conhecer

esqueça um pouco do dia
em qualquer cor de
qualquer bebida
respira a melodia
da chuva beijando as telhas

continuo
seguindo o fluxo
cutuco a onça do acaso
com os dedos
desapareço de mim mesmo
enquanto bebo os ponteiros
da noite

é alguma hora em algum relógio
e não importa mais 
o que estão dizendo
eu sei o que estou fazendo
apesar das cicatrizes
estarem ardendo;

eu simplesmente continuo.

terça-feira, 7 de outubro de 2025

COR DE SALIVA

tá claro demais entre nós
no escuro eu posso ser
também minha sombra

apague a luz

e deixe o silêncio gemer
cada vez que sua pele arrepiar

eu não tenho pressa
o tempo lá fora
não me importa

entre nós ainda há espaço
encosta suas palavras 
na minha língua
e deixa eu te escrever
um poema 
da cintura pra baixo
cor de saliva

ofega meu ar
faça meus ouvidos
ouvirem um som que valha a pena

esfregue seu calor
no meu peito 
e entre minhas pernas

repita
o que seus cabelos
sussurram pros meus dedos

é nosso segredo
você o guarda
garganta abaixo.

segunda-feira, 8 de setembro de 2025

NOITE DE ESCAPE

a sobriedade me cega
ao encontro do profundo
meu bem, sou um ser sujo
limpando a poeira dos olhos
e pulmões
e coração

respiro fundo
ar em demasia
uma boca à mais
pra respirar
minhas fantasias
já seria
um milagre

o gelo se afoga
na caipirinha mal produzida
tão boa quanto
as idas e vindas
de quem sumiu mais rápido
que a minha brisa

eu tenho paredes e copos
música, acordes
nada que muda
o jeito que acordo

acordei
mais uma vez
fumando meu tempo