segunda-feira, 21 de dezembro de 2020

NA ESPERA

Estes sentimentos não
parecem estar com os
pés no chão.
Pelo que esperávamos?

Não sou mais o mesmo.
Fiquei em casa
por muito tempo.

Nada estava ali realmente.
O que fazia falta
se escondia entre
um dia e o outro.
Você perguntou
"Por que isto importa?"
e não houve resposta.

Você não é mais a mesma pessoa.
Ficou em casa
por muito tempo.

Na espera, a expectativa
de que será diferente.
Este sentimento não
tá com os pés no chão.
Nem dá mais pra diferenciar
ontem de hoje e
muito menos de amanhã.

Não somos mais os mesmos.
Ficamos em casa
por muito tempo.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2020

LÁ FORA

Por favor, apenas me siga,
pois eu me perdi novamente.
Olhamos para o trem chegando
ao mesmo tempo,
só que embarcamos
em estações diferentes.

O que me custou eu
já investi em mim.

Lá fora, em stand by,
a chuva cai com sol.
Meio que me identifico.
Mas não quero te aborrecer
com sentimentos passados
(que passaram só pra você,
talvez, pra mim nunca passaram).

Segui adiante, sem deixar rastros.
Amor não é um dogma.
É arrogância dizer que
só isto basta.
Ou ingenuidade.
Afinal, embarcamos em
estações diferentes, lembra?

Boto meus olhos na janela
para enxergar este mundo.
Ensinei-me que é assim que é,
mas não é assim que tem que ser.
Meu reflexo sorriu pra mim,
como há muito tempo
não fazia.

Lá fora, a chuva encerrou o ato.
Nunca fiquei tão próximo
de um arco-íris
quanto agora.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2020

MANHÃ

Olhos secos, já se
foi o suficiente
por um mundo
antes mesmo de
sair da cama.
Dias de céu azul
facilitam a
virada de página.
Pensando sobre
tudo o que vai
acontecer,
tão distante.

Tomaria café agora.
Mas aí seria o
mesmo de sempre.

TARDE

Acabou sendo
o mesmo de sempre.
Sonhos e promessas 
fugiram das 
nossas mãos para
o pôr-do-sol.
Voltamos do trabalho.
Olho para os meus pés:
é o começo do fim.
Procurando por alguma
migalha de orgulho
pelo que foi feito
entre o dia e
a tarde.
Só nos restou
a noite.

NOITE

Agora que ela chegou,
posso deitar
e encarar a
luz das lâmpadas
de LED do meu quarto.
Agora que o sol
não sorri mais,
posso pensar com
mais frequência.
Cruzando informações entre
minhas memórias e
a cidade em véu negro.
Me traz esperança.
Talvez a gente podia
se encontrar esta
noite.
Ou podemos deixar
para o dia
de amanhã.

PLAYGROUND

Meio amargo no playground.
Ao redor pessoas
se tratando como
pessoas se tratam.
Sentado no banco,
meu sorvete derretendo.
Alguns metros dali,
o amor é uma coisa.

O sol dando tchau pro playground.
Todo mundo no fim
do dia.
Eu queria ser
outra pessoa;
aquela que estiver
contigo agora.
Meu relógio travou.

Balançando minhas pernas,
vejo as crianças matando
uma garrafa de vodca.
Já fui uma delas.
O sorvete mancha toda
minha roupa.

Meio amargo, vou embora do playground.
Mantenho as mesmas
batidas no coração
da minha infância ou
quando estava contigo ou
quando eu era mais
doce.
Jogo a casquinha
no lixo.

CÍRCULOS NA MINHA MENTE

Tire uma foto e
guarde no seu bolso.
Prometa que você
não vai mudar.
Que tudo será
como é.

Relaxe, não vou
contar pra ninguém que
você concordou comigo.

Deixarei ir embora,
porque não quero mentir:
corro em círculos na
minha mente, em
círculos, círculos,
círculos.

Aqui estou, esperando
alguém que não é mais.
No campo aberto em
meio à tempestade.
Aqui estou, esperando
que o passado me salve.

Relaxe, não vou mais
te aborrecer comigo.

Deixe eu ir embora
porque não quero mais mentir:
corro em círculos na
minha mente, em
círculos, círculos,
círculos.